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06/03/2021 às 06h53

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Em visita ao Iraque, Papa Francisco começa a quitar dívida histórica
Pontífice é o primeiro a visitar o país citado na Bíblia
Em visita ao Iraque, Papa Francisco começa a quitar dívida histórica
Comunidade cristã do Iraque foi um dos principais alvos do grupo Estado Islâmico, que dominou parte do país até meados da década passada
Quando entrou na catedral de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Bagdá, no fim da tarde de hoje, o Papa Francisco começou a quitar uma dívida histórica do Vaticano. Ele foi o primeiro líder da Igreja Católica a visitar o Iraque, um dos poucos países citados na Bíblia e terra do profeta Abraão, a quem atribui-se as religiões monoteístas, como cristianismo, judaísmo e islamismo.

Na mesma igreja, 58 pessoas foram mortas em 2010, em um ataque executado pelo grupo terrorista Al-Qaeda. Ao fazer referência à tragédia, Francisco lembrou de problemas que não ficaram no passado. "A morte deles é um alerta poderoso que a incitação à guerra, a postura de ódio e violência e o derramamento de sangue são incompatíveis com os autênticos ensinamentos religiosos".

A comunidade cristã do Iraque foi um dos principais alvos do grupo Estado Islâmico, que dominou parte do país até meados da década passada. Em menos de 20 anos, o grupo de cristãos iraquianos foi reduzido de 1,5 milhão para pouco mais de 250 mil.

No encontro que teve com autoridades no palácio presidencial, Francisco pediu aos iraquianos para cuidarem de suas minorias religiosas e disse que elas "devem ser vistas como recursos preciosos a serem protegidos e não como um obstáculo a ser eliminado".

O líder católico também fez referência aos Yazidis, outra religião muito perseguida pelo Estado Islâmico. 5 mil foram mortos e mais de 10 mil capturados. Mulheres eram escravizadas e vendidas em mercados de rua. "São vítimas inocentes de atrocidades brutais e sem sentido. Foram perseguidos e mortos por sua religião".

DIPLOMACIA

Na viagem em que dá uma atenção especial às minorias, o papa também reforça o diálogo com os islâmicos. A boa convivência com outras religiões foi uma das prioridades estabelecidas logo no início do seu papado.

A viagem vai durar 3 dias. Amanhã, ele se encontra com o aiatolá Ali al-Sistani, líder iraquiano dos xiitas, o segundo maior grupo entre os islâmicos.

Na mensagem que mandou antecipadamente aos iraquianos, o papa afirmou que viajaria como "um peregrino da paz, em busca de fraternidade" e com o desejo de "caminhar junto com os irmãos e irmãs de outras tradições religiosas".

O Iraque vive em intensa instabilidade desde a invasão da coalizão liderada pelos Estados Unidos, em 2003. O presidente Barham Salih recebeu o pontífice no palácio presidencial e disse que "o extremismo ideológico é uma ameaça à coexistência e à diversidade".

PANDEMIA X SEGURANÇA

Aos 84 anos, os problemas no quadril do argentino Jorge Mario Bergoglio são cada vez mais evidentes. O pontífice está andando mais devagar e com mais dificuldade. Da Covid-19, pelo menos, ele e sua comitiva estão protegidos. Todos já foram vacinados.

Não é o caso dos iraquianos. No primeiro dia da visita, houve muitas aglomerações e poucas máscaras. O Iraque tem à disposição apenas 50 mil doses da chinesa Sinopharm, que chegaram na segunda-feira ao país.

Hoje, 5.127 novos casos foram confirmados, um pouco abaixo do recorde da pandemia - 5.173 - registrado na última terça-feira. Oficialmente, a covid-19 fez 13.500 vítimas no país. Autoridades internacionais acreditam, no entanto, que o nível de subnotificação no Iraque seja maior que o da média mundial.

Mais de 10 mil agentes fazem a segurança da comitiva papal. Francisco está sendo transportado em um carro blindado. Ele também vai se locomover pelo país de avião e helicóptero. Estão previstas visitas a 4 cidades, incluindo Mossul que, até 4 anos atrás, era a fortaleza do Estado Islâmico na região.

"Que calem as armas", disse o pontífice em um dos seus compromissos de hoje. Ainda não se sabe se ele será atendido, mas Francisco já é um dos poucos líderes mundiais que ousaram visitar uma região tão desestabilizada e perigosa e que expõe tanto as feridas dos conflitos que ainda não foram superados.

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