Número de pessoas com dívidas atrasadas há mais de 90 dias representa 51% da população adulta; cartão de crédito concentra a maior parte das contas em aberto.
O Brasil chegou a 83,9 milhões de pessoas inadimplentes em agosto, segundo dados da Serasa. O número representa pouco mais da metade da população adulta e ocorre em um cenário de expansão do acesso ao crédito e de juros elevados, que aumentam o custo dos empréstimos e dificultam a quitação das dívidas.
O cartão de crédito é responsável por 27,2% das dívidas em aberto, seguido pelas contas básicas, como água, luz e gás, com 21,1%, e pelas dívidas com financeiras, que representam 19,9%. Entre 2016 e 2026, o número de inadimplentes cresceu 38,1%, enquanto o volume total das dívidas aumentou 54,9%.
Especialistas apontam que a expansão do crédito, o crescimento das fintechs e a maior bancarização da população contribuíram para ampliar o acesso aos serviços financeiros, mas também facilitaram o endividamento. O cenário é agravado pelos juros altos, que fazem muitos consumidores recorrerem a novos empréstimos para pagar dívidas anteriores.
O governo lançou neste ano o Desenrola 2.0, programa destinado à renegociação de débitos, que já alcançou R$ 68 bilhões em dívidas de famílias e empresas. Para especialistas ouvidos pelo UOL, porém, a renegociação ajuda a reduzir o problema imediato, mas não resolve as causas estruturais do endividamento.
Fonte: UOL